Meus pneus esparramaram a água que matava a sede das ruas da Zona Norte, abafando o rap seco e pesado que ecoava pelo vidro aberto.
Voltei pra casa com o cabelo molhado e sorri para aquela lua crescente azul que me olhava de cima do travesseiro, como quando dormia na sua cabeceira nos dias em que eu estava longe..
O dia tinha sido pra caçador, mas desde que joguei aquela camiseta branca na roupa suja aprendi a me vestir de auto-engano e qualquer outra de mim.
Por mais que a razão me traga a paz de espírito que pedi em minhas orações, pra onde quer que olhe eu quero ver você.
Sinto o cheiro do perfume que você nem usa e espero você brigar comigo por qualquer coisa minha que ninguém dá importância..
Tudo o que eu tinha agora era uma vida vazia de você, onde o sol se punha sem cor e a manhã acordava mofada.
Sei que não vou me atrasar para o trabalho amanhã, que comporei desculpas, desfarei meus planos, que me deitarei com quem inventa promessas, me embriagarei de ocos e esperarei, em segredo, o telefone tocar pra anunciar que pararemos de nos esconder e nos casaremos numa sexta...
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