segunda-feira, 17 de outubro de 2016

É do tipo que dói

Disse que o problema não era esse, não era simples, desliguei o telefone a afundei o rosto na almofada amarela, molhando a espuma com a dor que eu não tinha estômago para digerir.
Do outro lado da linha que a gente derrubou, eu sabia que você chorava também, pois havíamos nos tornado crianças, mesmo que nos enxergasse tão grandes.
Antes de achar que explodiria, me levantei e vesti qualquer roupa que não cobriu a tatuagem da coxa direita, troquei as lágrimas quentes pela chave do carro e saí.
De trás das nuvens gordas de primavera o vento se viu invejoso daquela raiva que eu sabia sentir tão bem e assoprou violentamente um vermelho queimado pra cobrir o céu, me ofuscando e se combinando comigo, e despejando todo o lixo da cidade no meu quintal.
Eu já não podia mais sair de casa ou de mim.
Acendi um cigarro e deixei que a chuva chorasse do lado de fora do meu corpo.
Escureceu. Dentro e fora.

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https://www.youtube.com/watch?v=yDvGp5lanQA&list=RDyDvGp5lanQA#t=34

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Vestígio de Fuligem

Ela queria, calou. Se despediu no portão e entrou. 
Eram quase três da manhã e como o sábado já havia caminhado pelo avesso, não alimentava expectativa nenhuma naquele anúncio de domingo. Mas assim que colocou os dois pés dentro da casa foi acometida por uma pressão violenta dentro do corpo, como se metade dela tivesse ficado do lado de fora e lhe faltasse o pedaço mais importante de si mesma: aquele que lhe permitia respirar! Jogou a mochila quase vazia no chão, voltou à rua e o chamou.
Ele já tinha dispensado do outro lado do muro comum o que carregava nas mãos, voltou apressado, como se também tivesse deixado seu ar em frente a casa dela. Seus olhos vermelhos transbordavam ansiedade, perfuravam-na afim de descobrir porque ela o chamava de volta, mesmo que no fundo soubesse que não havia motivo e que motivo nenhum faria diferença para os dois àquela altura da madrugada. Ela, por sua vez, não tinha a menor ideia do que dizer quando o viu chegar e cuspiu uma frase dobrada e fácil de encontrar na ponta da língua ardida de álcool, o convidando para queimar um restinho de estrela.
Ele negou, pois já brilhavam demais. Vestiu os olhos de sono e voltou para casa.
Ela respirou. A sensação não foi de perda ou ganho, vitória ou derrota. Foi neutra, besta, indiferente. Sensação de quem tenta e se satisfaz simplesmente por ter tentado. E a pressão se esvaiu no contato dos tênis com o chão.

Entrou na casa de novo e girou a chave na porta como nunca faz, como se para além de portas e fechaduras, trancasse um momento do lado de fora e garantisse seu isolamento do mundo. Agora era só ela e seus pensamentos. Tirou os tênis, as meias, o jeans e o sutiã e os espalhou pelo chão do quarto. Lavou a  fuligem de fogueira que tinha acabado de descobrir nas mãos e esfregou o rosto, abriu a janela para que o céu enegrecido viesse se deitar com ela, apagou a luz e soltou o peso do corpo na cama. Debaixo de um cobertor azul começou a esboçar uma das cenas que compõe o prelúdio dos sonos dos cancerianos, onde ele voltava, abria a porta como noutras vezes, entrava arfando, sustentando um olhar duro e decidido, tirava sua própria roupa pra não perder tempo e se jogando sobre ela.
Ia-se deleitando com o que imaginava, pois para aquela menina a liberdade de sua mente lhe bastava.
Foi então que num repente escutou o portão abrir, ou imaginou tê-lo escutado, já não tinha certeza. De qualquer maneira o som injetara mais emoção ao roteiro que ia pintando no travesseiro e podia sentir seu coração bater um pouquinho mais forte. Concentrou-se e tentou distinguir o sonho da materialidade com a qual estava tentando lidar, afinal, era a primeira noite que podia se lembrar em que os dois não terminavam sem roupa, juntos, na cama. Mas o barulho perfurou o sonho e ela teve certeza de que havia alguém que depois de forçar a maçaneta algumas vezes, bate.
...
Ele deve ter entrado na casa que faz divisa com a sua, urinado, mergulhado no pequeno universo de seu quarto, pegado a camisinha, metido no bolso direito da bermuda e saído de novo. Deve ter parado por dois minutos em seu portão pra pensar. Ou gastou esses minutos com outra coisa...
...
Ela se arremessou de pés juntos no chão frio e caminhou rápida e meio assustada em direção ao vulto que esperava colado na porta de vidro. O coração sorri. Abriu a porta e o viu entrar com apenas metade daquela decisão que imaginava, mas com um sorriso que valia por mais do que o dobro dela.

Não fumaram estrelas, mas viraram fumaça na boca da noite.

Vestígio de Fuligem

Ela queria, calou. Se despediu no portão e entrou. 
Eram quase três da manhã e como o sábado já havia caminhado pelo avesso, não alimentava expectativa nenhuma daquele anúncio de domingo. Mas assim que colocou os dois pés dentro da casa foi acometida por uma pressão violenta dentro do corpo, como se metade dela tivesse ficado do lado de fora e lhe faltasse o pedaço mais importante de si mesma: aquele que lhe permitia respirar! Jogou a mochila quase vazia no chão, voltou à rua e o chamou.
Ele já tinha dispensado do outro lado do muro comum o que carregava nas mãos, voltou apressado, como se também tivesse deixado seu ar em frente a casa dela. Seus olhos vermelhos transbordavam ansiedade, perfuravam-na afim de descobrir porque ela o chamava de volta, mesmo que no fundo soubesse que não havia motivo e que motivo nenhum faria diferença para os dois àquela altura da madrugada. Ela, por sua vez, não tinha a menor ideia do que dizer quando o viu chegar e cuspiu uma frase dobrada e fácil de encontrar na ponta da língua ardida de álcool, o convidando para queimar um restinho de estrela.
Ele negou, pois já brilhavam demais. Vestiu os olhos de sono e voltou para casa.
Ela respirou. A sensação não foi de perda ou ganho, vitória ou derrota. Foi neutra, besta, indiferente. Satisfez-se por tê-lo chamado, pois pra ela era bastante. E a pressão se esvaiu no contato dos tênis com o chão.

Entrou na casa de novo e girou a chave na porta como nunca faz, como se para além de portas e fechaduras, trancasse um momento do lado de fora e garantisse seu isolamento do mundo. Agora era só ela e seus pensamentos. Tirou os tênis, as meias, o jeans e o sutiã e os espalhou pelo chão do quarto. Lavou a  fuligem de fogueira que tinha acabado de descobrir nas mãos e esfregou o rosto, abriu a janela para que o céu enegrecido viesse se deitar com ela, apagou a luz e soltou o peso do corpo na cama. Debaixo de um cobertor azul começou a esboçar uma das cenas que compõe o prelúdio dos sonos dos cancerianos, onde ele voltava, abria a porta como noutras vezes, entrava arfando, sustentando um olhar duro e decidido, tirava sua própria roupa pra não perder tempo e se jogava sobre ela.
Ia-se deleitando com o que imaginava, pois para aquela menina a liberdade de sua mente lhe bastava.
Foi então que num repente escutou o portão abrir, ou imaginou tê-lo escutado, já não tinha certeza. De qualquer maneira o som injetara mais emoção ao roteiro que ia pintando no travesseiro e podia sentir seu coração bater um pouquinho mais forte. Concentrou-se e tentou distinguir o sonho da materialidade com a qual estava tentando lidar, afinal, era a primeira noite que podia se lembrar em que os dois não terminavam sem roupa, juntos, na cama. Mas o barulho perfurou o sonho e ela teve certeza de que havia alguém que depois de forçar a maçaneta algumas vezes, bate.
...
Ele deve ter entrado na casa que faz divisa com a sua, urinado, mergulhado no pequeno universo de seu quarto, pegado a camisinha, metido no bolso direito da bermuda e saído de novo. Deve ter parado por dois minutos em seu portão pra pensar. Ou gastou esses minutos com outra coisa...
...
Ela se arremessou de pés juntos no chão frio e caminhou rápida e meio assustada em direção ao vulto que esperava colado na porta de vidro. O coração sorri. Abriu a porta e o viu entrar com apenas metade daquela decisão que imaginava, mas com um sorriso que valia por mais do que o dobro dela.

Não fumaram estrelas, mas viraram fumaça na boca da noite.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ehrich Café Coruja: O NATURAL E MITOLÓGICO SER CORUJA

Ehrich Café Coruja: O NATURAL E MITOLÓGICO SER CORUJA: O termo coruja é a designação comum às aves estrigiformes (uma ordem de aves que inclui aves de rapina noturnas). São caçadoras eficientes, ...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"changes in"

Há quanto tempo não escrevo aqui!
E também não sei por quanto tempo ficarei sem escrever!!


"changes in"

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

título da postagem?

Fechei a porta, negando a mim mesma do lado de fora...
É sempre ela (eufórica!) que não me deixa simplesmente existir...

Pois eu tenho que estremecer os caminhos que meus pés escolhem!
Pois eu tenho que chacoalhar o horizonte onde se deita o sol poente!
Pois eu tenho que causar estragos...

Porque eu não posso ser só mais uma...
tenho que ser "aquela"!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Uma merda!

Não posso te dizer "exatamente" bem...
Porque no script não há um "felizes para sempre".

Talvez as emoções não façam sentido.
Porque talvez quem não faça sentido sou eu...

Talvez o erro esteja então aqui. Comigo. Em mim. Eu.

Pois por mais intensas que foram minhas peregrinações,
o EU, não conquistou NADA que seja mais do que um






HOJE.













Quer saber?

GRANDE MERDA!!!!!!







PS: EU ODEIO SUFLAIR DARK.